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Colégio João Paulo II, Braga Fomos saber mais sobre...

Conversa com o professor Hugo Torres, professor de Música

Música:
muito mais do que tocar afinado

A 1 de outubro assinala-se o Dia Mundial da Música. Fomos perceber o que uma criança aprende quando aprende música, e porque é que isso se nota em tudo o resto.

Turma sentada a ouvir piano na sala de música do Colégio João Paulo II
Nove perguntasConversa com o professor Hugo Torres, professor de Música no Colégio João Paulo II, Braga

Pergunta 01

Costuma dizer-se que a música é uma linguagem universal. Concorda?

Concordo plenamente. A música atravessa culturas, idades e línguas de uma forma que poucas outras áreas conseguem. E ensina algo muito particular, a criança aprende a escutar antes de aprender a falar sobre o que ouviu.

Essa escuta atenta, essa disponibilidade para captar nuances, é uma competência que depois se transfere para tudo o resto, para a forma como lê um texto, como observa o mundo, como se relaciona com os outros.

Pergunta 02

A música é sobretudo expressão artística ou também um veículo de cultura?

É as duas coisas, e nunca uma sem a outra. Quando ensino uma canção tradicional portuguesa ou uma peça de outra época e lugar, não estou só a ensinar notas, estou a abrir uma janela para uma cultura, uma história, um contexto. A música transporta sempre um saber que vai muito além dela própria.

Escuta Cultura Disciplina Confiança

Aprender música é aprender muitas coisas ao mesmo tempo, e quase nenhuma delas cabe numa pauta.

Pergunta 03

Que ligação existe entre aprender música e conhecer outras culturas?

É uma ligação direta e, para mim, uma das partes mais bonitas de ensinar música. Cada estilo musical carrega uma visão do mundo.

Quando os alunos contactam com diferentes tradições musicais, estão também a perceber que existem outras formas de sentir, de celebrar, de contar histórias. É educação musical, mas é, ao mesmo tempo, uma verdadeira educação para a diversidade.

A criança aprende a escutar antes de aprender a falar sobre o que ouviu.
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Professora ao piano de cauda, com os alunos sentados em frente
Tocar afinado é a consequência de um processo muito mais rico.

O que é, verdadeiramente, aprender música?

É aprender a pensar de forma diferente. Aprender música é aprender a estruturar, a antecipar, a corrigir-se em tempo real, a colaborar com quem está ao lado.

Tocar afinado ou cantar bem são consequências naturais de um processo muito mais rico, que envolve raciocínio, disciplina e sensibilidade em simultâneo. É isso que torna a música tão completa como área de desenvolvimento.

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Alunos a acompanhar a música com as mãos, durante a aula
Errar uma nota à frente dos colegas e continuar é um treino de superação.

Que competências desenvolve uma criança através da música que, à primeira vista, nada teriam a ver com música?

Muitas. Concentração, sem dúvida, porque tocar ou cantar em grupo exige atenção constante ao que os outros estão a fazer. Memória, porque grande parte da aprendizagem musical passa por reter e reproduzir padrões. Coordenação motora fina, no caso dos instrumentos.

E há também uma competência que valorizo particularmente, a resiliência, porque errar uma nota à frente dos colegas e continuar é, no fundo, um treino de superação que a criança leva para todas as outras áreas da vida.

Pergunta 06

Ao longo dos anos, o que muda numa criança com um percurso musical rico desde cedo?

O que noto mais é a segurança com que essas crianças se apresentam perante os outros. Têm menos medo de errar em público e sabem ouvir uma crítica construtiva sem se sentirem diminuídas.

E trazem para as outras disciplinas uma disciplina de trabalho que a música lhes incutiu desde cedo.

Sala de música com a turma a assistir ao piano

Pergunta 07

E entre quem começa no pré-escolar e quem começa mais tarde?

A diferença está sobretudo na naturalidade. Quem começa cedo relaciona-se com a música como algo espontâneo, quase como uma segunda linguagem.

Quem começa mais tarde consegue, obviamente, alcançar excelentes resultados, mas o percurso costuma exigir mais tempo para desenvolver essa mesma à-vontade. É por isso que valorizo tanto o trabalho que é feito desde os primeiros anos.

A música não é um complemento, é parte essencial da formação da criança como pessoa.

Pergunta 08

O que gostaria que as famílias compreendessem sobre o valor da música na educação?

Que a música não é um complemento, é parte essencial da formação da criança como pessoa. Não se trata apenas de tocar um instrumento ou de participar num concerto, trata-se de desenvolver escuta, disciplina, sensibilidade cultural e confiança.

É um investimento que se reflete em todas as outras áreas da vida do aluno.

Pergunta 09

Que sugestão deixaria às famílias para incentivar o gosto pela música em casa?

Uma sugestão simples, mas que faz mesmo a diferença: ouvir música em conjunto, em família, e falar sobre ela. Perguntar à criança o que sentiu, do que gostou, o que lhe fez lembrar. Não é preciso ter formação musical para isso.

Esse simples hábito de escutar com atenção e de partilhar a experiência é, muitas vezes, o primeiro passo para um gosto genuíno pela música que dura a vida toda.

Dia Mundial da Música, 1 de outubro Colégio João Paulo II, Braga